Aprendendo a estudar nº01: Por que?

Estudar é uma habilidade. Algo que podemos desenvolver e melhorar ao longo da vida para que possamos compreender melhor nosso mundo e as pequenas coisas ao nosso redor. Saber como estudar pode nos abrir caminhos, reduzir o tempo do percurso e evitar grandes frustrações. Pode fazer com que o ato em si se torne mais proveitoso e menos tedioso. Para entender melhor o porquê de que devemos aprender a estudar, vamos analisar algumas situações. *Este é um texto de introdução da série “Aprendendo a Estudar”, que será composta de aproximadamente 6 artigos, cada um deles aprofundando-se em seus respectivos temas*

Você tem que estudar – seus pais, seus professores, o universo e tudo mais

Durante grande parte de nossa vida nós ouvimos sempre a mesma frase: “você tem que estudar”. E o seu sentido não é completamente errado, posto que estamos vivenciando um período no qual o conhecimento está se expandindo cada vez mais rápido e se torna altamente necessário sabermos digerir as informações, compreendê-las, estudá-las, conseguir mantê-las em nossa cabeça e utilizá-las em uma profissão que permita prover nossa subsistência ou como também ouvimos: “para nos tornamos alguém na vida”. No entanto, o problema desta frase é que ela só diz o que devemos fazer, e não como deveríamos fazer. Além disso, o sistema educacional em geral, não contribui para uma compreensão clara do que seria estudar e quais as suas implicações em nossa vida. Ele apenas reproduz algo que permanece em um círculo vicioso, tanto que nossos pais e muitos de seus amigos não conseguem clarear para nós essa questão. Estudar é ler? Ouvir? Prestar atenção no que o professor diz? Decorar? Tudo isso? Nada disso?

De acordo com Viviane Senna, psicóloga e irmã do falecido piloto Ayrton Senna, a escola estagnou no século XIX. “Se pudéssemos transportar um cirurgião do século XIX para um hospital de hoje, ele não teria ideia do que fazer. O mesmo vale para um operador da bolsa ou até para um piloto de avião do século passado. Não saberiam que botão apertar. Mas se o indivíduo transportado fosse um professor, encontraria na sala de aula deste século a mesma lousa, os mesmos alunos enfileirados. Saberia exatamente o que fazer. A escola parece impermeável às décadas de revolução científica e tecnológica que provocaram grandes mudanças em nosso dia a dia. Ficou parada no tempo, preparando os alunos para um mundo que não existe mais”. É necessário que o sistema educacional adentre o século XXI e pedagogicamente reconheça e inclua o trabalho de psicólogos, sociólogos, neurocientistas e cientistas em geral que se esforçam realizando profundos estudos para melhorá-lo. Apesar de não ser uma questão muito fácil de se solucionar, muitas destas pessoas já conseguiram, através de seus trabalhos, chegar a várias conclusões do que realmente é estudar e de como pode ser feito. Algumas conclusões se excluem, mas muitas, se complementam. Resta nos saber, por que essas descobertas não são inclusas no sistema. A medicina já não é mais a mesma, e a educação também não pode ser.

Algumas pessoas no mundo decidiram se separar desta educação tradicional e desse sistema educacional, obtendo sucesso a partir de outros meios, educando a si mesmo de outras formas, se tornando autodidatas, donos de sua própria aprendizagem. É o caso de Albert Einstein, e de muitas outras personalidades mundo afora, como Suli Breaks nos conta em seu vídeo do seu poema “Por que eu odeio a escola mas amo a educação”.

Por continuar reproduzindo o mesmo sistema educacional de antes, a escola passa também a reproduzir o mesmo jeito de ensinar. Porém, essa uniformização do ensino não leva em conta a gama de disparidades que encontramos ao analisar a forma como os estudantes aprendem. Nem todos conseguem aprender por uma excessiva e repetitiva leitura. Nem todos conseguem manter o foco com o professor falando a todo tempo. E nem todos conseguem enxergar claramente a relação entre os conteúdos ensinados e suas respectivas avaliações, já que considerando que cada um é diferente, a mesma prova nem sempre é a “mesma prova”.

Quando você realmente presta atenção, tudo é seu professor. Ezra Bayda

Devanil Júnior, criador do projeto Alimente o Cérebro, e de seu respectivo canal no youtube, nos conta no seu vídeo “Meu problema com o sistema educacional” como é a sua própria maneira de aprender e as dificuldades que encontrou no caminho por conta deste sistema educacional. Destaca que tem grandes problemas ao se deparar com a ideia de ter que se sentar e estudar algo profundamente, e que isso de fato não é algo que consiga fazer. Contornando a situação, descobriu que o seu ato de ensinar era o seu melhor método de aprender – como destaquei em um artigo anterior – .

Gabriella Santarém, estudante de medicina da ESCS, também possui o seu próprio método de aprender. Além de ter estudado profundamente os conteúdos necessários para passar no vestibular, ela passou a contextualizar tudo ao seu redor. Atualmente, os educadores em geral têm grande dificuldade em fazer esse tipo de contextualização, de levar o que está nos livros para fora dos mesmos, de forma prática para os estudantes. Ao observar uma planta por exemplo, ela reconhecia que a mesma era uma gimnosperma, e com isso, trazia as informações teóricas dos livros direto para a realidade. Não só uma forma de aprender mas também uma ótima forma de revisar. “O estudo traz consigo uma nova forma de ver o mundo e as pessoas”, como ela própria relata.

Aprender a estudar é uma forma de poupar tempo e evitar frustrações. Além disso, lhe permite tirar mais proveito dos livros e consequentemente, lhe prover um melhor entendimento sobre o mundo. Estudar certamente é diferente de decorar, pois ao insistir e se desgastar tentando decorar informações na nossa cabeça, acabamos não aprendendo e esquecemos com extrema facilidade, o que nos leva ao ciclo de fazer a mesma coisa de novo, de novo e de novo. Como nas vésperas de provas ou quando estamos tentando ler uma grande quantidade de informações rapidamente para “aprender” em pouco tempo. Estudando da maneira certa, dificilmente teremos que ler o texto mais de uma vez, e certamente não precisaremos revisá-lo com uma enorme frequência, economizando bastante tempo. Além disso, iremos saber que estamos aprendendo de verdade, e iremos conseguir reconhecer claramente se estamos entendendo o conteúdo.

Esta série de artigos e as informações contidas aqui poderá lhe ajudar a reconhecer qual é a sua maneira de aprender, e como você pode utilizá-la em seu próprio benefício para estudar. Nos próximos artigos, iremos falar sobre como o nosso cérebro funciona e aprende; sobre técnicas de aprendizagem; sobre métodos efetivos e métodos que de fato não funcionam; sobre por que nós esquecemos e por que precisamos tanto da repetição. 🙂

PS: Além de aprender a estudar, também é extremamente importante saber compreender e interpretar aquilo que se lê, e para isso, nada melhor do que entender um pouco mais de lógica. O Devanil está com um ótimo curso sobre lógica em seu canal do youtube, e abaixo você pode conferir o primeiro vídeo do curso.

Referências:

http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/educacao-e-midia/o-mundo-mudou-e-a-escola/
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150525_viviane_senna_ru
https://particionando.wordpress.com/2015/08/04/ensinar-para-aprender/
http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n42/v15n42a13.pdf

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