Aprendendo a Estudar nº03: Importância da Repetição

A repetição é um dos mecanismos pelo qual o cérebro humano pode distinguir o que é mais relevante para ser armazenado e o que pode ser descartado, assim como vimos no texto anterior. Nós, humanos, temos um grande potencial de aprender pela repetição, como fizeram nossos ancentrais. Nós mesmos percebemos isso quando estamos aprendendo algo mais manual, mais fisiológico, como tocar um instrumento musical e até mesmo escrever, e nos deparamos com o nosso progresso após algum tempo. Nós falamos bastante sobre os tipos de memória no texto passado, e neste, entenderemos, neurologicamente, como as informações criam gigantescas redes neurais no cérebro e como, no âmbito dos estudos, a repetição possuí uma importante função.

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Os neurônios são as células que formam o nosso cérebro. Elas são compostas basicamente por três partes: os dentritos, que captam informações ou do ambiente ou de outras células, o corpo celular, responsável pelo processamento das informações, e um axônio, para distribuir a informação processada para outros neurônios ou células do corpo. Só que uma célula dificilmente trabalha sozinha. Quanto mais células trabalharem em conjunto, mais elas podem processar e mais eficaz torna-se o trabalho. Logo, para o melhor rendimento do sistema são necessários muitos neurônios.

Quando estamos estudando, formamos novas redes neurais, e quando relacionamos o que está sendo estudado com algo que já sabemos, estamos conectando essas redes neurais umas às outras, formando uma rede ainda maior, mais rápida e eficiente. Por isso, a importância de buscar – seja nos estudos ou no ensino – uma relação mais significativa com as informações. Não tratá-las apenas como dados isolados, mas contextualizá-las, principalmente com emoção, formando assim redes neurais maiores e mais “fortes”, em relação ao efeito do esquecimento. Nós, estudantes, podemos fazer isso de diversas formas. Tanto relacionando com algo que já sabemos, enxergando além do texto, tanto procurando outros meios de entender e aprender o assunto a ser estudado, como documentários, filmes, músicas, pinturas, imagens. Quanto mais relações fizer, maior será o seu entendimento e mais difícil será de esquecer.

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Para nossa infelicidade, mesmo após termos estudado de forma eficiente em um dia, e garantido o ticket para a memória de longo prazo, com o tempo, nós ainda esquecemos. E se tratando da memória de curto prazo, na imagem acima, podemos ver como em um dia, a retenção das informações declina abruptamente nas primeiras horas e como passa de 100% para 30% até o final do dia – evidenciando novamente a importância de se estudar o assunto que vimos na aula no mesmo dia, repetindo ao seu cérebro o que deve ser guardado e não na véspera de prova, em que lembramos de 20-10% do mesmo ou ainda menos – Nos dias seguintes a retenção cai mais lentamente, de uma forma mais constante. No entanto, há uma maneira de contornar isso, e fazer com que nós lembremos por bastante tempo, dias e meses, o que estudamos. E aqui entra a importância da revisão, podemos fazer isso através das revisões espaçadas.

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São recomendadas, pelo menos, 5 revisões – em laranja – espaçadas para que o assunto estudado no começo do evento seja mantido o mais próximo de 100% ao final do ciclo de 30 dias. Alberto Dell’Isola, campeão brasileiro de memorização e recordista latino-americano, nos diz que três revisões, no 2º, 7º e 30º dia após os estudos, conseguem manter a retenção das informações bem próxima à 100%. De forma simples, isso quer dizer que ao estudar, de forma eficiente, sobre a Revolução Francesa hoje, e fazer uma boa revisão nesses dias, você irá conseguir se lembrar claramente dela até um mês depois.

No entanto, é importante saber como revisar. Pois revisar, lendo tudo novamente, gasta muito tempo e é uma prática pouco eficiente, é como se estivéssemos estudando duas vezes. No vídeo-abaixo, Seiiti Arata, fundador da Arata Academy, nos ensina uma técnica de sintetização e revisão muito útil, que nos permite revisar o conteúdo de um livro ou um assunto, em cerca de 10 minutos, ao invés de 1 hora ou até mais, dependendo.

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Além da “Técnica de Revisão Comprimida”, há uma ferramenta de estudos, criada por Tony Buzan, que pode nos ajudar tanto na revisão, quanto na organização de informações e a sua síntese, os mapas mentais. A ideia do mapa mental, é ter as informações mais relevantes de um texto de forma organizada. Ao partir de uma ideia central, como “História do Brasil”, podemos ir criando ramos e destrinchando ainda mais a história, como “Brasil Império, Brasil República” e depois “fatos, acontecimentos, cultura” e daí por diante. Importante ressaltar de que em cada ramo, deve-se ter apenas palavras chaves, nunca frases inteiras, e também, deve-se evitar a cópia integral do que está escrito no livro, a não ser que sejam conceitos ou “palavras-chaves”, em seu sentido mais literal. E também é uma ótima ideia colocar imagens e cores nesses ramos – como falamos antes, quanto mais relações criarmos, melhor será o entendimento e mais difícil será de esquecer – .

Colocando somente palavras-chaves, estaremos fazendo uma síntese das informações do texto, pegando aquilo que é mais importante, essencial. Além disso, o fato de termos que sintetizar o que está no texto, em pouquíssimas palavras, faz com que nos pressionemos para entender bem o que está escrito. Podemos fazer o mapa mental enquanto lemos o texto ou uma outra opção também, é ler o texto marcando as passagens mais importantes, e depois de terminá-lo, tirar um tempo para confeccionar o mapa mental. Pode-se construir-los em sites como o ExamTime, ou em aplicativos para celular android como o MindjetMaps. Contudo, o mais recomendável é fazer os mapas mentais à mão, em folhas A4 ou qualquer outra de sua preferência. Inclusive, Carol Alvarenga, concurseira e dona do site Esquemaria, nos ensina a fazer mapas mentais em fichas e faz uma boa crítica aos mapas mentais convencionais neste texto. Além disso, em outros, ela comenta sobre várias técnicas de estudos, principalmente para quem está estudando para concursos, vale muito a pena conferir.

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Há ainda outros tipos de esquemas, como fluxogramas e mapas conceituais, caso não goste muito de mapas mentais. Acredito que a principal função do mesmo, e que pode ser transferida para qualquer outro tipo de esquema, é a sintetização das informações e a economia de tempo. Esse “forçar” um pouco o nosso entendimento do que está escrito para que possamos parafrasear as informações principais de forma concisa em pouquíssimas palavras chaves, faz com que tenhamos mais atenção ao texto, pensando mais sobre o que está escrito. E apesar de ser um processo mais demorado, uma outra forma de fazer sintetização e entender profundamente as ideias de um texto, é fazer fichamentos a partir de citações ou passagens do texto. A economia de tempo também é significante, considerando que devemos levar cerca de 10 minutos ou até menos, para revisar todo o conteúdo que estudamos em 2, 3 ou 4 horas.

Podemos agora ter uma noção melhor da grande importância da repetição em nossos estudos, e como ela faz uma manutenção no nosso cérebro das informações que adquirimos. Por algum motivo, nas escolas, a repetição não é tão valorizada nesse sentido, infelizmente muitos professores, a própria instituição e os alunos visam o lema de ” temos que estudar para as provas” e os alunos fazem isso inclusive, nas vésperas delas. Partindo desse lema, depois das provas, o que estudamos não tem maior valor algum, já que não teremos mais “provas” sobre o mesmo, e a educação escolar, neste contexto, perde muito o sentido. É uma situação complicada e complexa, muitas pessoas mundo afora estão empenhadas em querer mudá-la, torçamos para que ela mude positivamente algum dia.

E para entender melhor e saber ainda mais sobre o cérebro, memória e o funcionamento dos neurônios, recomendo assistir o vídeo abaixo, do Nerdologia sobre o mesmo.

Referências:

http://sosconcursando.com.br/como-fazer-revisoes-de-forma-eficiente/
http://www.supermemoria.com.br/2008/05/curva-do-esquecimento.html
http://www.mosalingua.com/pt/o-sistema-de-repeticao-espacada-memorizar-para-jamais-esquecer/
http://esquemaria.com.br/mapas-mentais/
http://www.sbneurociencia.com.br/mariobonamici/artigo1.ht

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