Aprendendo a Estudar Nº05: Motivação e Disciplina

Tanto motivação quanto disciplina são necessários para ter bons estudos e até mesmo desenvolver qualquer projeto e fazer muitas outras coisas em nossa vida. Contudo, é importante sabermos diferenciar motivação e disciplina e destrinchar individualmente os respectivos conceitos para que não venhamos a confundí-los e que possamos conhecê-los e entedê-los de forma ainda mais clara, por mais que pareçam óbvios. Com isso, a proposta deste texto é de elucidar esses dois conceitos e destacar suas devidas importâncias.

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Nossas vidas são permeadas de altos e baixos picos de emoções, desde o mais explícito entusiasmo até a mais implícita melancolia. A motivação, ou força de vontade, é o impulso que nos leva a ação. É o que, dependendo de sua intensidade, nos leva a tomar determinadas atitudes diante de coisas ao nosso redor. Uma pessoa frequentemente motivada, consegue fazer as coisas que seriam um pouco mais difíceis sem tanta dificuldade assim. Pessoas que tendem a ter uma relação otimista com o mundo, normalmente, tendem a ser assim. Porém, nem todos somos tão otimistas. A quantidade de pequenas situações que alteram nosso humor e que passamos em um único dia é enorme, e a pressão que elas exercem sobre nós é gigantesca. Em momentos de sobrecarga, ao menor “sinal”, gesto ou palavras de outras pessoas podemos nos incomodar de forma extrema, mesmo que antes essas coisas não nos incomodassem de tal maneira.

Algo que te inspire, que te faça “despertar” e tomar uma atitude diferente na vida, pode mudar os rumos dela. Desta maneira, momentos de motivação podem mudar vidas. Muitas palestras conseguem transformar a vida de pessoas. E por isso, que professores devem aprender a motivar seus alunos durante a sala de aula, tanto provendo sentido àquilo que se ensina, tanto sendo alguém que está ali para auxiliar em todas as formas possíveis. Uma vez, um certo professor conseguiu em apenas uma aula, mudar para sempre a minha noção de poesia sobre o mundo. E em outra época, outro professor também conseguiu em uma aula, me tornar uma pessoa mais crítica e adotar uma postura mais analítica em relação ao mundo. E certamente, você também passou por uma experiência, mesmo que esta não tenha sido em sala de aula, que tenha transformado um pouco a sua vida e ter te levado a tomar ações diferentes das que você já tomava.

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Um filme, um gesto, um pensamento, uma situação podem nos balançar emocionalmente, e fazer com que após esse “balançar emocional”, nos tornemos diferentes e motivados por um certo período de tempo. Período esse, que pode durar muito tempo, como nos exemplos que citamos acima, que mudam os rumos da vida de uma pessoa. Contudo, em grande parte, na grande maioria das pessoas, a motivação tem um prazo de validade muito curto, e esse período de tempo que mantém a pessoa motivada, dura poucos dias, ou até mesmo poucas horas. Este é o grande problema da motivação. A maioria das pessoas e nós, não conseguimos colocar uma motivação, por exemplo, de querer emagrecer, acima de muitas outras e sempre se sobressaindo em relação a todas as outras desmotivações que nos confrontam no dia a dia. Críticas negativas, autoflagelamento e a sensação de não ser capaz, são desmotivações que quebram facilmente a motivação inicial. É neste ponto, que pessoas mais otimistas ou que conseguem canalizar bem as emoções, conseguem se segurar e continuar motivadas. Mas infelizmente, nem todos somos assim. Motivação, deve ser um primeiro impulso, seguido logo de um primeiro passo, o senso de responsabilidade e a disciplina.

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Usando a imagem acima como metáfora e ressaltando novamente a frase anterior: é preciso, que a motivação seja um primeiro impulso, mas que deve ser seguida por uma disciplina adiante. Relacionando isso com os estudos, é possível dizer que se estamos entusiasmados em querer conquistar uma vaga em uma boa universidade, e estudar aquilo que amamos e que queremos fazer na vida, precisamos logo em seguida nos organizar e ver o que é preciso fazer para alcançar esse objetivo. Ver se precisamos de uma rotina de estudos, se precisamos distribuir melhor nosso tempo, se há coisas que podem ficar um pouco de lado. E isso não quer dizer que você deva se dedicar exclusivamente 24 horas aos estudos, como dissemos no primeiro texto, estudo não se trata sobre quantidade, e sim qualidade, então estudando pouco por dia mas de forma eficiente, ainda teremos espaço para alguns bons momentos de lazer para relaxar também.

É importante identificar as suas maiores fraquezas e ver quais coisas que te ajudam e quais as que te atrapalham nessa jornada. Como discutimos no texto anterior sobre concentração, sobre o espaço para se estudar, e complementando aqui com o meu relato, no primeiro semestre da faculdade descobri que não posso muito estudar em casa, ou pelo menos, em uma mesa que tenha um computador ao lado. Meu primeiro impulso é o de ligar no Netflix ou no Youtube e passar horas vendo vídeos que eu não precisaria passar tanto tempo vendo assim e deixando meus estudos de lado às vezes. Já no segundo semestre, meu desempenho nos estudos subiu muito, após ir mais às bibliotecas e em casa, separando um local específico para estudos, longe do notebook, eliminando esse maior empecilho.

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Procure identificar um horário livre, no qual poderá usar esse mesmo horário todos os dias para estudar. Estudando em um horário específico, e todos os dias, você cria um senso de responsabilidade, um tipo de obrigação, uma disciplina e isso leva, com o tempo, à formação de um hábito. E quando formamos um hábito, principalmente o de estudar, muitas coisas começam a fluir melhor e se tornam mais fáceis. Nossa capacidade de concentração aumenta, conseguimos eventualmente, com as devidas pausas, estudar cada vez mais por um longo tempo sem nos exaustar muito.

A maioria de nós não para pra pensar se colocamos com a mão direita ou esquerda a pasta de dente na escova, se escovamos primeiro os dentes de cima ou os debaixo ou se calçamos primeiro o pé direito e depois o esquerdo. Nós simplesmente fazemos essas atividades sem prestar muita atenção em nossas ações, pois nosso cérebro reconhece o que precisa ser feito e aciona o hábito daquela atividade. Nosso cérebro simplifica as coisas e as automatiza, para gastar cada vez menos energia. Com isso, formando o hábito de estudar, muitas vezes não iremos nem nos questionar muitos sobre o quanto é complicado estudar ou o quanto não vai ser prazeroso e coisas desse tipo. Muitas vezes, nós iremos apenas sentar e estudar, sem muitos pensamentos.

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Charles Duhigg, um repórter estadunidense, escritor, e ganhador do prêmio Pulitzer – um prêmio outorgado a pessoas que realizam trabalhos de excelência na área do jornalismo – escreveu um livro chamado “O Poder do Hábito”. Após uma intensa pesquisa na área, ele nos explica através de seu livro como hábitos são formados e os resume em três fases:

  1. Gatilho: é o que aciona o hábito. O cérebro detecta um padrão ou uma sugestão e ativa o hábito para ficar livre e executar outras funções. Um impulso inicial, como abrir os olhos ao acordar todo dia antes de se levantar ou ir ao banheiro, e logo depois, escovar os dentes. (Se mudamos o gatilho, por exemplo, se ao acordamos, ao invés de ir ao banheiro logo em seguida, formos beber água, muitas vezes podemos quebrar o hábito sem querer e até esquecer que temos que escovar os dentes;
  2. Rotina: é o comportamento pré-programado pelo cérebro para atender ao gatilho do hábito. É a sequência de ações que começamos a realizar automaticamente, sem pensarmos muito sobre elas;
  3. Recompensa: é o que sempre buscamos quando o hábito é acionado e geralmente está associado a uma sensação de prazer, de dever cumprido, de saciedade ou de realização. É difícil vermos uma sensação imediata de recompensa após estudarmos. Como forma de me recompensar e me motivar após os estudos, sempre penso no porquê de estar fazendo aquilo e onde quero que aquilo me leve. Além disso, busco valorizar meus esforços e reconhecer que estou no caminho certo. A longo prazo, procuro ver o tanto de coisas que já estudei e o quanto já avancei. Uma auto-motivação que serve como recompensa.

O autor dá um exemplo bem interessante de um de seus próprios hábitos que é o de levantar no meio do expediente de trabalho e comer cookies na lanchonete. Isso ele fazia todos os dias e o estava deixando cada vez mais gordo. Ao analisar o hábito, ele percebeu que o gatilho não era a fome e nem a recompensa de euforia provocado pelo aumento do nível de insulina (açúcar) no sangue, e sim pela necessidade de bater-papo com alguém para relaxar um pouco a tensão do trabalho. Sabendo disse ele parou de comer cookies e agora perturba seus colegas de trabalho por uns 10 minutos.

Identificando alguns “gatilhos” ou impulsos que temos todos os dias, podemos redirecionar as rotinas que se seguem logo após eles, e tomar um bom proveito disso. Para ter uma ideia melhor do livro antes de lê-lo, recomendo novamente o vídeo em que o Seitii Arata o comenta:

Para levar seus estudos, projetos e mudanças de vida adiante, não dependa somente da motivação. Use a disciplina em seu próprio benefício. A disciplina e a persistência nos mostra como pessoas como Leonardo Da Vinci, que durante grande parte da sua infância, ficou desenhando todos os dias sempre as mesmas paisagens nas folhas que roubava do escritório de seu pai, e que no fim, se tornou um dos melhores artistas que conhecemos. Como Albert Einstein, que ao utilizar o tempo livre após terminar seu trabalho do dia em um escritório de patentes, ficava pensando nas relações entre o tempo e o espaço, se dedicando em seu próprio projeto, que depois de vários anos viria a se tornar uma das teorias mais brilhantes. Como Thomas Edison, que mesmo não tendo condições de estudar em uma boa escola, gastou longos anos se educando, aprendendo várias coisas diferentes, e que no fim, deu uma nova e ótima visão de como podemos utilizar a energia elétrica, além de ter feito outras importantes invenções. Como Michael Jordan, ao treinar exaustivamente todas as habilidades necessárias do basquete, todos os dias, se tornou o mais versátil jogador da NBA. – exemplos estes, que também podemos encontrar no livro “Maestria”, do escritor Robert Greene, que comentei em outro texto – Que sejamos mais disciplinados e motivados, e que possamos alcançar nossos sonhos e metas de vida reconhecendo a grandiosidade que é, ter a possibilidade de conquistar algo, e conquistar. E nada melhor que terminar esse texto com um bom vídeo motivacional para refletir, quem sabe não possa tomar um primeiro passo, a partir daqui? =)

Referências:

http://www.papodehomem.com.br/foda-se-a-motivacao-o-que-voce-precisa-e-disciplina
http://www.brunocunha.com/blog/livro-lido/resenha-poder-do-habito-charles-duhigg/
http://www.pickthebrain.com/blog/self-discipline/
https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Duhigg
http://www.psicologia4u.com/motivacao-a-base-da-mudanca/

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