Aprendendo a Estudar Nº06: Autodidatismo e Sentido

Ao longo dos textos anteriores, vimos como estudar é um ato complexo, diferente do que normalmente imaginamos, e ao mesmo tempo, vimos luz ao diferenciar conceitos que não podem ser misturados, como ser aluno e ser estudante, como decorar e aprender, e além disso, mostrando muito o que a ciência, com seus avanços recentes, tem a nos dizer. A proposta desta série foi justamente a de mostrar novas ideias, expandir os horizontes sobre a questão de se estudar, e promover alternativas e entendimento. O conceito de estudar então, não pode ser definido como algo fixo universalmente, já que cada um possuí sua própria forma e métodos subjetivos para se apropriar de conhecimentos e carregá-los consigo durante a vida. É uma jornada única e pessoal, específica de cada um de nós.

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E a jornada única e pessoal de estudar, deve ser dotada de um sentido, um propósito. Uma grande profissão, o ingresso na universidade dos sonhos, a conquista da aprovação naquele concurso, um aperfeiçoamento pessoal ao conhecer melhor o mundo. Estudar por estudar, é sempre uma resposta muito vaga, enquanto temos sonhos e vontades muito mais profundas. Até mesmo “estudar para passar em um vestibular”, é uma resposta vaga e geral, afinal, não é algo que normalmente todos nós queremos? Porém, o que você, no mais profundo do seu ser, realmente quer? Que sonho ou vontade te motivaria a deixar de lado certas coisas e adotar novas posturas? É importante definirmos nossos propósitos, nossos sonhos e nos motivar com eles, para que com uma boa organização e disciplina, ao longo prazo, alcançemos aquilo que queremos.

Na prática, provavelmente não será tão fácil quanto estas palavras fazem parecer, já que a situação é outra e você se torna dono das suas responsabilidades, preocupações, erros e acertos, avaliações e manutenções do seu desempenho, e de certa forma, se torna um autodidata nos seus estudos para conseguir aquilo que quer. Não só estudos no sentido de obter conhecimento a partir de livros e outras fontes, mas também no sentido de aprender qualquer coisa que queira, dançar, cantar, aprender um instrumento musical. Se tornando autodidata e responsável pelos seus estudos foi que muitas das pessoas que mais admiramos, se tornaram excelentes naquilo que fazem e conquistaram aquilo que queríam.

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A grande vantagem de ser dono dos seus estudos, e reconhecer efetivamente isto, é que você também é dono do seu próprio rítmo. Você, como estudante, pode avançar no conteúdo das matérias além do que seu professor está ensinando no momento, e estar sempre um passo a frente, e até com menos preocupações. E aqui você começa a utilizar seus professores como bússolas do seu aprendizado, como verdadeiros guias, provedores de entendimento e direções, como já comentei em um texto anterior. Podemos nos tornar mais independentes, e aplicar isso até mesmo fora do âmbito escolar, para aprender qualquer coisa, como falamos antes.

Além disso, é importante estudar com eficiência. Mas o que gera plena eficiência nos estudos de uma pessoa, pode ter resultados diferentes para uma outra pessoa. E não considero as sugestões dadas aqui como leis fixas para se atingir o melhor aprendizado possível do mundo, mas considero como recomendações, que já deram muito certo com várias pessoas e que a maioria são baseadas em pesquisas científicas muito bem elaboradas e algumas até bem recentes. Mais importante, é sabermos aquilo que mais nos agrada e o que são mais adequados para se usar. Para isso, é necessário que tenhamos um salto de fé para tentarmos pôr em prática um pouco de tudo o que discutimos e ver o que mais se encaixa em nossos estudos. Caso não goste de mapa mentais, há outros tipos de esquemas para anotação. Caso não goste de usar a técnica do pomodoro, é possível reconhecer mentalmente a hora que devemos dar uma pausa nos estudos. Se não gostar do “white noise”, pode utilizar músicas instrumentais ou o que lhes agradar mais. É uma questão de ajustes, mas seria interessante só “quebrarmos as regras” após desfrutar da experiência delas.

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Estudar vai muito além do que receber informações e estocá-las em nossa cabeça. Vai muito além de decorar fórmulas e números que parecem não ter sentido. Muito mais além do que copiar do quadro para o papel, e lá ficar. Estudar é uma forma de se autoconhecer, de experimentar novos mundos. O intuito aqui não é só aprender a estudar, mas também aprender a reconhecer que há sentido em estudar, que há significado. A cada palavra nova, um novo significado. Um pedacinho do mundo que passamos a conhecer e que nos torna cada vez mais humanos.

Como um último relato pessoal do texto, gostaria de dizer que esta série de textos inicialmente foi planejada para ajudar alunos do meu antigo colégio de ensino médio, e que antes, confesso que não achei que poderia tirar a ideia do papel e conseguir transformar no que virou. Mas no fim, as coisas se seguiram, os textos “nasceram” e me descubro cada vez mais apaixonado pela neurociência e pelo tema da educação, e provavelmente estes não serão os últimos textos sobre os assuntos.

Para se aprofundar ainda mais em como estudar melhor e até em outros temas abordados nos textos, abaixo recomendo alguns sites que produzem conteúdo de qualidade.

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